Isto é uma projeção de quanto pode ter sido desviado de 01/01/2018 até este exato momento por: desfalque, falcatrua, negociata, traficância, velhacaria e corrupção.
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Denúncia - Ceará
28 de Julho de 2012, em Fortaleza - CE - R$ 500.000,00
Gramado de R$ 500 mil do Castelão some e vira jardim em prédio público do Ceará
No dia 11 de dezembro de 2009, o governo do Ceará anunciou solenemente que o gramado do Castelão, estádio público de Fortaleza que está sendo reconstruído para receber jogos da Copa do Mundo de 2014, seria substituído por um "tapete" da mais alta qualidade. O custo de R$ 500 mil para a compra e o plantio da grama tipo "tifton" seria plenamente justificável, afirmavam, à época, as autoridades públicas. Afinal, tratava-se de um tipo de gramado com alta maciez e que requer manutenção apenas a cada 10 anos

Um ano e sete meses depois, porém, quase metade do gramado e do investimento público está se deteriorando sob os tratores e detritos das obras do Castelão, que está sendo desmontado para dar lugar a uma nova arena. O restante teve seu paradeiro desconhecido até o fim da semana passada, quando a secretaria de Esportes do Ceará (Sesporte) informou que foi doado para a Procuradoria do Estado, que vai usá-lo como jardim em prédios públicos.
A Polícia Militar cearense também ficou com uma parte, e deve plantá-lo no campo de recreação de seus soldados. Para a nova arena que está sendo erguida no local, ao custo de R$ 518 milhões (dinheiro público e privado), um novo gramado será comprado.
O sumiço do relvado foi primeiramente percebido pelo repórter Emmanuel Macêdo, do jornal O Povo, de Fortaleza. No dia 20 de julho, o periódico questionou a secretaria de Esportes e a secretaria Especial da Copa do Ceará sobre o paradeiro da parte do gramado que não se via em meio as obras do Castelão. Ninguém soube dizer onde o patrimônio fora parar.
Dois dias depois, veio uma explicação: a secretaria de Esporte tentou doar o gramado para municípios cearenses que têm estádios e clubes filiados à Federação Cearense de Futebol, mas não houve interessados. "O município de Sobral chegou a se interessar, mas quando soube que a operação logística para levar a grama de Fortaleza até a cidade, distantes 240 quilômetros, custaria cerca de R$ 80 mil, desistiu", conta Gony Arruda, secretário de Esportes do Ceará.
A partir daí, a pasta de Arruda afirma que a grama, por estar dentro do canteiro de obras do Castelão, passou a ser responsabilidade da Secopa. Esta, por sua vez, afirma que todo o patrimônio do antigo Castelão está sob a tutela da Sesporte, prova disso seria que esta secretaria é quem está se encarregando de doar todo o material que pode ser reaproveitado do estádio aos municípios interioranos, de mictórios a placar eletrônico, arquibancadas e refletores.
Diante do impasse, afirmam as duas secretarias, teria tomado a iniciativa de tirar aquela grama dali antes que tudo se perdesse o DAE, ou Departamento de Arquitetura e Engenharia, outro órgão estadual. Seria esta entidade quem conseguira encontrar quem se interessasse pelo gramado de alta qualidade, a Procuradoria Geral do Estado e a Academia da Polícia Militar.
Apesar da afirmação das pastas estaduais, nenhum documento atestando a doação do gramado para as duas entidades públicas foi exibido até agora pelas secretarias ou pelo DAE. Procurada pelo UOL Esporte, a equipe do departamento afirmou que não poderia responder a qualquer pergunta sobre o assunto porque o tema é exclusivamente tratado pelo seu diretor-presidente, Quintino Vieira, que está viajando.
Interessado em entender melhor como funcionam e quem decide as doações dos bens do Castelão, o Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE-CE) instaurou uma auditoria para checar todos procedimentos e documentação envolvendo a transferência de propriedade dos equipamentos do estádio para outros entes públicos. "Fomos informados que a parte do gramado que não estragou foi doada para a Procuradoria do Estado e para a Academia de Polícia, mas ainda não pudemos checar", conta Giovana Adjafre, secretária de controle externo do TCE-CE. Segundo ela, a contar a partir desta quarta-feira, uma equipe do tribunal terá dez dias para efetuar a auditoria nas doações e transmitir as informações apuradas a um conselheiro relator, que teria, a partir daí, mais dez dias para elaborar seu relatório conclusivo.